visitas

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

"Desejos Carnais" - (Conto de minha autoria)

Saudações, noturnos!!

Para comemorar este Halloween (31 de outubro) estou postando mais um conto vampírico de minha autoria, intitulado "Desejos Carnais".

Este conto é bom avisa que tem um teor um pouco mais sexual, mas não é extremamente pesado não.

Peço por gentileza que não utilize em sites, blogs ou impressos o conto sem minha permissão.

Espero que gostem!!

Quem quiser, me siga no twitter: www.twitter.com/kamposss

Os mais macabros dos desejos são aqueles que me consomem por completo.


Kampos


  Seguia pela calçada com todo seu requebrar em mais uma noite de clima quente e céu limpo, sem estrelas, para o seu ponto de costume, em uma esquina perto de comércios que pelo horário já encontravam-se fechados. Normalmente as garotas evitavam pontos como aquele, principalmente por serem escuros, o que aumentava ainda mais o perigo, mas ela via isso como algo positivo, além de não ter concorrência por perto, os clientes que surgiam eram os mais loucos, do tipo que ela mais gostava, e qualquer problema era capaz de lidar, fosse utilizando o salto alto de bico fino que calçava ou as unhas enormes pintadas de vinho, combinando com toda sua vestimenta.
  Seu nome era Melissa, ou esse era o nome que adotara quando decidira ser uma garota de programa. Se possuía outro nome, fora no passado, em outra vida, provavelmente bem diferente do presente.
O que a motivava não era o dinheiro, mas sim o desejo carnal. Adorava sexo e aquela vida lhe caia muito bem.
  Loira, cabelos sedosos e compridos que fazia questão de sempre alisar para deixá-los com aparência maior, chegando até os quadris, o que sabia que a deixavam ainda mais desejável. O vestido colado e curto mal cobria suas partes íntimas, mas para quem estava disposta a se despir por um valor pré-combinado somado ao puro prazer, pouco importava com a indiscrição de suas roupas, afinal, quanto mais exposto o produto, mais interesse haveria. Adorava provocar. Sua pele clara contrastava com a cor do vestido imensamente decotado na altura de seus belos e fartos seios, e para completar, tinha em seu rosto a mais pura expressão de malícia, misturada com traços de menina e a perversão de uma mulher.
Nunca demorava a encontrar um primeiro cliente interessado e disposto a pagar seu preço, e naquela noite não fora diferente.

De longe avistou quando a figura surgiu em meio às sombras. Permanecia parado, mas era visível seu interesse e, por isso, a garota fazia questão de se mostrar, atiçando, fazendo com que viesse logo a ela. Enquanto ele observava, Melissa deu uma volta como se mostrasse o material oferecido. Por mero descuido, ou não, deixou a pequena bolsa que carregava cair ao chão, obrigando a se abaixar para pegá-la, curvando de costas para a direção do rapaz, deixando visível ainda mais suas longas pernas e também a calcinha que usava. Mais uma vez, via com êxito seu charme. O possível cliente enfim se moveu, caminhava calmamente em sua direção. Enquanto aproximava, ela já o estudava, fazia parte da sua profissão, ler a pessoa, homem ou mulher, pela expressão corporal. Era experiente, saberia exatamente o ponto em que ele seria fisgado. Parecia bem apessoado, provavelmente um homem de negócios. Todo de preto, bem vestido, com roupa social. Um blazer negro sobre uma camisa bem alinhada, assim como a calça e sapatos pretos brilhando como novos. Apesar de cabisbaixo, percebia o olhar que delatava de longe o desejo por seu corpo.
  - Olá, belo... Procurando por diversão? – Perguntou com sua característica voz sensual que era capaz de amansar o mais bruto dos homens.
  - Sempre. – Respondeu de forma séria e simples.
  - Estou à altura de seus desejos? – Perguntou, aproximando-se do homem que permanecia a contemplá-la. Não perdeu tempo em correr uma das mãos delicadamente em meio às pernas do cidadão. Poucos resistiam à provocação.
  - Sim... Mas devo avisá-la que não sou como outros clientes seus. – Disse, erguendo um pouco o olhar para encará-la.
  - Assim você me deixa excitada. Gosto de homens diferentes. – Liberou um largo sorriso.
 - Mesmo que seja uma criatura da noite? – O rapaz puxou a garota para junto de seu corpo e permaneceu a olhar em seus olhos, aguardando sua resposta.
  - Adoro tudo que venha da noite, afinal, ela existe para aproveitarmos, não é?! – Melissa não demonstrava nervosismo, mas sim, muito jogo de cintura. Não perdia a postura sedutora, era atrevida, e continuava a desvendar o provável cliente, encarando seus olhos cor de mel, que pareciam devorá-la, entre os fios de cabelos rebeldes que dançavam frente a sua visão e que de tão negros deixavam a pele do rapaz com aspecto ainda mais claro.

  - E o que pretende fazer comigo, amor? – Perguntou, em seguida, mordendo o lábio inferior. Para ela, ele já estava no papo.
  - Coisas inimagináveis. – Respondera, liberando um breve sorriso macabro, quebrando a seriedade de seu semblante até o momento.
  - Sou muito imaginativa...  – Rebateu já pegando em uma das mãos do cidadão, seguindo pela calçada vazia em direção a uma pequena pensão.
Enquanto caminhavam, ela percebia o rapaz, um pouco mais baixo que ela, vislumbrado em suas curvas, isso fez brotar um leve sorriso em sua boca, adorava sentir-se desejada, perceber o quão vidrado estava por ela. Sinal que ganhara o jogo.
  - Quer me dizer seu nome? – Perguntou a ele.
  - Pode me chamar apenas de “Lorde”.
 - Nossa... Um homem da nobreza... Pode deixar, cuidarei muito bem de você, meu Lorde. – Particularmente, Melissa não se importava com nomes, até porque a maioria não dizia o verdadeiro e quanto a chamá-lo de Lorde, pouco importava, não achava estranho, afinal, nomes muito mais esquisitos já foram ditos a ela.
  A pensão estava logo à frente. Uma fachada pouco cuidada, com a pintura descascada, onde já fora da cor salmão. O letreiro luminoso parecia não funcionar mais. As janelas, de estilo antigo, brancas, mais para encardidas, e todas fechadas.  Adentraram ao local, pequeno, de baixa luminosidade e paredes pintadas de azul. A garota nem parou na recepção. Já tinha seus acordos com o dono do estabelecimento e, portanto o quarto garantido. Subiram dois lances de escada, conforme passavam algumas portas era possível ouvir breves gemidos, o que deixava claro que aquele era um antro de sexo. Enfim, chegaram ao quarto vago a eles. Melissa retirou de sua pequena bolsa a chave, destrancando a porta de madeira.
  A garota fez sinal para o rapaz ir na frente, e o mesmo, entendendo, imediatamente respondeu:
  - Depois de você.
  - Cavalheiro... Gosto disso. – Piscou Melissa, entrando no aposento.
  O quarto era pequeno. No máximo tinha uma cômoda velha, uma cadeira encostada em uma das paredes e claro, o mais importante, a cama de casal que aparentava não ser nem um pouco nova.
  A garota olhou para trás e seu cliente permanecia parado em frente à porta. Antes que ela dissesse algo, ele perguntou:
  - Não vai me convidar a entrar?
  - Desculpe... Por favor, entre. – Disse, com toda paciência do mundo.
   Lorde entrou e fechou a porta, certificando-se de trancá-la.
Enquanto Melissa começava sem perda de tempo a se despir, revelando um conjunto de lingeries também na cor vinho, rendado e transparente, Lorde permanecia de costas, ainda na porta, apenas retirara o blazer e a camisa, ambos jogados ao canto do cômodo e os sapatos, deixados ali mesmo.
  - Venha aqui, meu Lorde... – Dizia, enquanto ajeitava o corpo e passava as mãos pelos cabelos tendo certeza que sua imagem o seduziria imediatamente.
  O rapaz virou sem pressa, revelando um peitoral liso, com músculos não muito ressaltados, seguindo lentamente até a garota que o aguardava, em pé, frente à cama. Era uma visão que dificilmente um homem resistiria.
  - Venha... Sou toda sua. – Disse a garota de programa puxando-o pelo braço para mais perto de seu corpo.
  O rapaz nada disse, nem mesmo liberou um sorriso, apenas a empurrou na cama sem prévio aviso e, em seguida, subiu sobre seu corpo e de um dos bolsos da calça retirou duas gravatas pretas e sem demora juntou uma das mãos de Melissa levando de encontro à cabeceira da cama, começando a amarrá-la pelo pulso em uma das bases.
  - Hummm... Gosta de dominar, não é?! – Melissa tinha um olhar sapeca, safado, que mostrava não se importar, pelo contrário, gostava do que o rapaz pretendia fazer.
  Logo amarrou o outro pulso, deixando a garota de lingeries presa à cama.
  - E agora, meu Lorde, pretende fazer o quê?! – Provocara o cidadão, sabia que isso geraria uma reação que somada com o clímax do momento deixariam ambos doídos pela transa que estava por ocorrer.
 Ele, ainda sem demonstrar grande pressa, se aproximou de seu rosto, indo até a orelha esquerda da garota na qual sussurrou:
  - Eu a avisei que era diferente de qualquer cliente seu... Que sou uma criatura da noite... Pois bem, contemple minha verdadeira face. – Neste instante, afastou-se o suficiente para que ela enxergasse seu rosto, agora com olhar maquiavélico, arregalado, assim como a boca a qual apresentava dentes alongados.
 - Você é um vampiro? – Perguntou Melissa, enquanto encarava a boca do rapaz.
 - Sim... E está noite você será a minha vítima. – Com fúria, arrebentou tanto o sutiã quanto a calcinha da bela loira, que acompanhava com o olhar, sem nada dizer.
  Por alguns instantes, contemplou o corpo curvilíneo da garota de programa, magro, de pele macia, mas que já fora possuído por muitos outros clientes que assim como ele, chegavam quase a babar pelo desejo de penetrá-lo. Começara por uma das coxas da garota, seguindo pela barriga, lambendo, roçando os dentes, subindo até os seios, gerando pequenas contrações. Com uma das mãos tratava de abrir suas calças, logo se despindo por completo.
Agora, ambos não possuíam nenhuma peça de roupa cobrindo seus corpos. Nada impedia a união carnal. Ele mantinha em seu rosto um olhar lunático, que deixava claro estar pronto para devorá-la. Ela não transparecia medo ou outro sentimento. Aguardava o que aconteceria. Percebia que aquele que anunciara ser uma criatura da escuridão estava doído por ela, completamente excitado.
Enfim, a ansiedade tomou conta do homem que não resistira mais ao belo corpo feminino, penetrando a garota com extremo prazer e vontade. Ela, de olhos fechados, liberou um gemido alto. Pouco podia fazer enquanto seus braços permaneciam imobilizados. A boca do cidadão continuava aberta, ostentando os grandes caninos. O rapaz gemia seguido pelos gritos da garota enquanto ele aumentava a velocidade da transa, apertando mais e mais seu corpo contra o dela, como se buscasse adentrá-lo por completo.
Não resistia mais, não aguentava permanecer longe do pescoço daquela que tanto lhe dava prazer e aos poucos aproximava-se mais e mais da jugular da estonteante garota. Primeiro lambendo, em seguida beijando e, enfim, mordendo, enquanto a segurava firme, talvez temendo uma reação, uma tentativa de fuga ou algo que impedisse o coito ou seu ataque ao pescoço. Mordia seguidas vezes, e ela até então só gemia... Mas logo, calou-se. Passaram alguns segundos, ele ainda mantinha o movimento frenético e as mordidas, súbito, a garota soltou os braços das amarras. Antes que o rapaz pudesse pensar em prendê-la novamente, ela o segurou. Ele estranhou o fato dela não relutar e mais ainda, a calma da mesma, afinal, normalmente as garotas entravam em pânico a ponto de chorar e implorar.
Quebrando o silêncio, Melissa disse perto do ouvido do homem:
 - Você chama isso de mordida?!
  Imediatamente, ele interrompeu os movimentos e soltou o pescoço da garota. Ficara surpreso. Mordia com toda vontade, nunca ouvira algo do tipo. Confuso, não teve a chance de dizer mais nada, porque ela se antecipou.
  - ISTO sim é uma mordida. – E foi ai que a garota de programa, loira e sedutora, mostrou seu principal dote. Não eram suas curvas que desnorteavam, não eram seus fartos seios que surpreendiam, não era sua bunda que inebriava, mas sim, seus caninos alongados que matavam. Foi apenas uma cravada de dentes no alto do ombro do rapaz, bem onde começava o pescoço, e ali ela permaneceu grudada, com força, logo tornando os dentes escarlates, enquanto suas unhas rasgavam as costas do rapaz, e ele, no desespero tentava se soltar, chegando a gritar, suplicar, mas isso não importava, ninguém adentraria ao quarto. Gritos eram ouvidos de montes naquele ambiente que exalava pecado.
  Alguns minutos se foram, o rapaz se rendera, soltara o corpo sobre a loira nua, sem forças para se soltar. Morrera ali, penetrando a garota, agora de olhar sedutor e demoníaco.
  Melissa, percebendo que sugara tudo que era possível, enfim o soltou, e sem dificuldades, girou o corpo, ficando sobre o cadáver, deixando alguns respingos de sangue correr pelos seios, indo de encontro ao morto. Olhou para o cidadão sem vida e disse com certo desprezo:
  - Vampiros... Hoje em dia todo mundo deseja ser um. – A garota bateu a mão na boca do rapaz, fazendo com que a prótese de dentes alongados soltasse, caindo em meio à boca.
  Suas roupas estavam próximas da cama. Levantou-se, começou a se vestir sem pressa, tratou de pegar o dinheiro na carteira do cidadão morto, deu uma última ajeitada na roupa, arrumou sua maquiagem e sem mais delongas, saiu do quarto, deixando o corpo da forma como estava, em meio ao lençol que misturava gotas de suor e sangue. Passou pela recepção, jogou várias notas sobre o balcão e apenas deu um sinal com a cabeça. O dono entendia bem o que deveria fazer. Descartar mais um que não sairia dali vivo.
  Seguia novamente para a esquina a espera de um novo cliente. A eternidade lhe proporcionara a chance de viver os mais ardentes prazeres carnais, algo que sempre desejou. Era adepta a qualquer tipo de fetiche ou fantasia. Adorava ser passiva, usada, e até mesmo humilhada, se isso fosse certeza de lhe gerar prazer. Por décadas experimentou todo tipo de sexo pelo mundo e nunca sentia que a vontade por mais passaria. Mas uma coisa não suportava, escrotos que fingiam ser de sua espécie, denegrindo a imagem de tais criaturas, ainda mais quando eram fracos, e nem mesmo uma mordida digna eram capazes de proporcionar. Neste caso, os que serviriam de instrumentos para suas depravações sexuais acabavam por se tornar seu alimento.

Fim

Um comentário:

 
BlogBlogs.Com.Br