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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Voluntários para áudio-conto

Saudações, notívagos!!

Venho hoje pedir ajuda de vocês!

Pretendo gravar mais um áudio-conto de minha autoria, desta vez do conto "Sedução", assim como fiz com "O lamentar de uma Proncesinha" (Para quem quiser assistir e ouvir: http://www.criaturasdaescuridao.blogspot.com/search/label/Videocontos )

Provavelmente, farei como vídeo-conto (usando imagens diversas ou criações minhas), já as vozes, pretendo colocar diferenciadas, casando melhor com cada personagem. A narração será minha.

Gostaria de saber se há voluntários afim de me ajudar interpretando alguma personagem? São pouquíssimas falas, como podem ver no texto já postado no blog CRIATURAS DA ESCURIDÃO, e cada um pode gravar em casa, com o microfone do computador, algo simples.

Para aqueles que forem escolhidos, passarei o texto por e-mail com uma breve explicação sobre as falas, e lógico, será colocado nos créditos do vídeo-conto o nome de cada participante.

Pretendo passar a versão áudio-conto para a Rádio Digital Rio, e também postarei no blog e youtube.

Esta é uma forma de vocês me ajudarem e também de haver maior interação entre o autor e leitores, o que acho muito bom e saudável.

Para aqueles que desejam participar e eu não conheço a voz, favor gravar uma ou duas das falas da personagem que pretende interpretar do conto e me enviar pelo -email: karlo_campos@yahoo.com.br

Basicamente, preciso de quatro vozes:

Vanessa: Garota tímida, mais fechada.
Michelle: Estilo patricinha, mais solta.
Adriano: Descontraído (Lembrando que esta personagem está mais alegre e bêbado no conto)
Gustavo: Rapaz normal, sem nenhuma característica muito marcante.

Se caso surgirem mais de quatro pessoas interessadas, posso passar para que gravem algumas risadas, algo do gênero para deixar o áudio-conto mais completo, e lógico, mais para frente posso criar outro áudio-conto e essas pessoas participarem.

Espero que se interessem pela ideia, e possam me ajudar.

Obrigado desde já!!

Leia o conto "Sedução" e conheça as opções de personagens. Realizei algumas correções no conto, porém que em nada mudam as falas.

http://www.criaturasdaescuridao.blogspot.com/2009/05/estoria-de-minha-autoria.html

Quem quiser, me siga no twitter: www.twitter.com/kamposss

Em minha mente ainda escuto as vozes de pavor daqueles que matei ... E me sinto muito bem com isso!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

"Doce Inocência" - (Conto de minha autoria)

Saudações, noturnos!!

Como estão?!

Peço imensas desculpas pelo sumiço, pela falta de atualizações, mas a correria de trabalho está muito grande, mas prometo não me ausentar tanto!!

Nesta postagem tenho o orgulho de apresentar a vocês mais um conto de minha autoria, este eu estava criando para postar no Halloween, mas a falta de tempo não permitiu.

O conto intitula-se "Doce Inocência".

Peço por gentileza que não utilize em sites, blogs ou impressos o conto sem minha permissão.

Espero que gostem!!

Quem quiser, me siga no twitter: www.twitter.com/kamposss

A maldade é a essência do que sou!!


Kampos

Conforme a noite invadia, as ruas ficavam cada vez mais infestadas de monstros e criaturas horripilantes, mas também de astronautas e palhaços. Era Halloween, e as crianças começavam aos montes irem pelas casas atrás dos preciosos doces.
- VAMOS AGORA NAQUELA CASA!- Gritou o garoto que saira correndo desvairado segurando com uma das mãos o chapéu para que o mesmo não caísse de sua cabeça.
Entre todas do quarteirão era a única casa sem abóboras esculpidas com expressões de medo ou sátira, ou com esqueletos e fantasmas pendurados. Ficava devendo também na iluminação, sem nem mesmo uma lâmpada que iluminasse a entrada.
- ME ESPERAAAA!! A MAMÃE DISSE PARA VOCÊ NÃO ME DEIXAR SOZINHA!! – Reclamou a pequenina garota que o seguia carregando sua cestinha em forma de abóbora.
Em frente a um portão de cercas baixas o garoto permanecia parado, admirando a residência à frente, logo acompanhado por sua irmãzinha que o alcançara.
- Para de correr na frente, senão conto para a mamãe!! – Com expressão de quem iria chorar, advertiu a menina.
- Deixa de ser chorona, e vamos lá. – Nem bem terminou sua sentença, o moleque já avançava em direção a grande porta de madeira que dava entrada a casa, que assim como seu gramado que visivelmente não recebia a atenção devida há meses, também não estava nem um pouco bem cuidada, parecendo que seus rachados, sujeiras pelas paredes e o péssimo estado foram feitos propositalmente para a data, mas que na verdade, estava em mal estado de conservação a anos.
- A mamãe disse para irmos só às casas dos vizinhos conhecidos.
- Deixa de ser bobona! Estamos perto e aqui ninguém mais está vindo... Deve ter muitos doces para nós!
- Ainda acho que a mamãe não gostaria disso...
- Fica quieta e vem comigo.
Ambos se aproximavam da porta, terminando de atravessar o gramado sem perceberem que já eram observados.
Ele sorria.
Frente à entrada, o garoto procurou por campainha, mas sem sucesso, enquanto sua irmã permanecia com olhar de reprovação. Logo, bateu à porta, e na ansiedade, repetiu quase que em sequência.
Para espanto da dupla, a porta de madeira grossa e que um dia fora pintada de branco, abriu lentamente, revelando apenas um breu e à alguns metros uma mesinha de madeira envelhecida, e sobre ela, o prêmio, dois chocolates em barra.
Por um instante, as crianças permaneceram paradas a olhar, afinal, ninguém aparecera para recebê-los.
Na dúvida, o garoto fez seu papel:
- Gostosuras ou travessuras?... – Correndo os olhos pelo ambiente escuro, mas ninguém parecia se interessar por sua indagação.
Ele estava a observar, mas elas não podiam vê-lo, mas ele as via muito bem. Duas criaturinhas pequenas. O garoto, de no máximo dez anos, de olhos claros e de corpo esbelto e a sua parceira de aproximadamente sete anos, olhos também bem claros e cabelos cacheados.
Um cowboy e uma bailarina, respectivamente.
- Acho melhor não entrar. – A pequena garota disse, enquanto buscava proteção na mão do irmão.
O garoto a princípio não contestou, apenas a princípio:
- Mas são doces! E olha, um para cada! Uma barra grande de chocolate para você e uma para mim. – Dito isso, deu o primeiro passo para o interior da casa vidrado na mesinha logo à frente, e como segurava firme a mão de sua irmã, a pobrezinha não tinha outra escolha, a não ser acompanhá-lo.
- Acho que a mamãe não gostaria que fizéssemos isso... – Sussurrou a pequena bailarina.
- Pronto, viu!! É só pegar os chocolates e sair... – Ele interrompeu a sentença quando para sua surpresa viu logo adiante mais doces sobre outra mesa, muito parecida com a primeira, e desta vez, não apenas uma simples barra para cada um, mas um pequeno amontoado de guloseimas, entre elas chocolates, balas e chicletes. Os olhos da criança brilharam, tal visão o seduziu de imediato.
- Olha lá!! – Disse, apontando para os doces. – Vamos pegar!
- Tem certeza? – Perguntou a garota assustada.
- Claro! – Ambos caminharam mais a frente sobre o assoalho de madeira que rangia a cada passada, parecendo que a casa ganhara vida, gemia, e sem notarem, adentravam cada vez mais ao breu daquela morada pouco mobiliada, fria e com quadros antigos em suas paredes que pelo desgaste, pareciam cartazes de filmes de horror.
Alguém sorria discretamente enquanto assistia a cena.
O garoto não pensou duas vezes. Sem menor cerimônia, começou a pegar os doces e guardar em sua sacola que até então estava em um de seus bolsos.
- Toma, estes são seus.
A garotinha pegou e guardou em sua cesta, calada.
E como antes, o pequeno cowboy ao correr os olhos fora seduzido mais uma vez. Era um jogo de gato e rato, e no momento, o felino se deliciava ao ver os ratinhos indo para sua armadilha. À poucos metros, uma porta entreaberta, e entre o vão da mesma, muitos doces como se simbolizassem um caminho para o grande tesouro.
- Mais! Não acredito! Que sorte! – O garoto sorria e começava a puxar sua irmã em direção a porta, quando sentiu uma pequena resistência e olhou para trás.
- A mamãe vai ficar brava... – Advertiu a bailarina de rosto branquinho e angelical e de olhos arregalados, como se sua expressão enfatizasse mais a proibição imposta por sua mãe.
- Ela nem precisa ficar sabendo! - E como se aquelas palavras resolvessem toda a questão, ele a puxou ainda mais forte e ambos foram em busca das preciosidades.
O determinado cowboy tratou de pegar todas que encontrara no chão, e curioso, abriu mais a porta, pois já imaginava o que veria... Mais doces que seguiam pelos degraus de madeira.
- Lá embaixo tem mais. – Disse olhando para a irmã, justificando o porquê de começar a descer.
- A mamãe não vai gostar... – Ela não cansava de enfatizar, e ele, de ignorar.
Quando enfim venceram todos os degraus da velha escada, encontraram um porão sujo, empoeirado, com muitas tralhas e escuro, e apenas um lugar parecia mais iluminado, propositalmente... Uma mesa repleta de guloseimas. A imagem foi tão hipnótica que nem mesmo reparou na existência de um pequeno monitor ligado mostrando imagens dos ambientes da casa no canto do porão.
- MAIS DOCES! – O garoto não pensou duas vezes e correu em direção à mesa, e sua irmã soltou de sua mão permanecendo ao pé da escada.
Enquanto se preocupava em juntar a quantidade maior que pudesse de balas, chocolates e pirulitos, nem percebera a figura que enfim aproximava-se de seu lado direito sorrateiramente, mas a menina, que permanecia ao longe sim, e o alertou:
- TEM ALGUÉM AI! – Porém, tarde demais.
O menino assustou-se e olhou rapidamente para o lado, foi quando, em um movimento rápido, levou uma paulada na cabeça que lançou seu chapéu para longe, e o pequenino foi de encontro ao chão com toda a força.
O cidadão percebendo que o garoto permanecera imóvel levou seu olhar para a garotinha que logo percebera que era seu novo alvo.
- Venha cá, meu bem... venha... O tio não lhe fará mal... Vamos brincar!! – Dizia a figura alta, de aproximadamente cinquenta e poucos anos, com roupas sociais, meio grisalho, com voz rouca, maliciosa, e mesmo com o pouco de luz, era possível ver seus olhos brilharem de forma macabra, se aproximando cuidadosamente para não espantar um dos ratinhos da armadilha.
Por um ou dois segundos a garota apenas olhou, e então, em um movimento brusco, deixou a cestinha cair ao chão e virou-se rapidamente para a escada, começando a subir degrau por degrau, algo que o cidadão não permitiria.
- VENHA CÁ, SUA DESGRAÇADA! – Gritou de forma lunática.
Quando pensou em correr, tropeçou na perna do garoto, dando assim, uma pequena vantagem a pequenina.
- DROGA! – Berrou, quase babando, em seguida chutando o desfalecido, e ganhando velocidade, indo à caça, enquanto a mesma terminava de subir os degraus.
Nunca permitiria que ela escapasse. Outras tentaram e não conseguiram. Ele tinha experiência suficiente nisso. Essa era sua época favorita. Não precisava espreitar por entre arbustos de parquinhos pelos bairros, e nem dialogar, bastava deixar o doce que elas vinham até ele. Tinha o trabalho de ano após ano mudar de cidade, de desaparecer da cena do crime, mas aquela noite fazia valer à pena, e não deixaria qualquer pirralha escapar e muito menos pedir socorro, ele tinha planos para ela e para seu irmãozinho... Planos breves, pois se saciava de sua perversão rapidamente e logo se desfazia das pobres carcaças. Mas era bom que fosse rápido, porque a pequena aproximava-se da porta principal por onde entrara com o irmão e logo ganharia as ruas, provavelmente gritando e chorando por ajuda, por sua mamãe.
- VOCÊ NÃO VAI SAIR!! – Exclamou com toda a força de seus pulmões.
A menina não olhava para trás, apenas corria o mais rápido que suas pequenas pernas permitiam, e logo, conseguira seu objetivo, alcançara a porta.
Quando o cidadão pensou em saltar em uma tentativa frustrada de impedir sua fuga, reduziu ao ver a garotinha parada, fechando a porta lentamente, e a trancando, pelo lado de dentro.
A expressão de seu rosto que antes deixava clara as intenções demoníacas agora demonstrava dúvida, surpresa, sem entender o porquê da garota se trancar no interior junto a um tarado que acabara de desacordar seu irmão.
A menininha se virou e com seu rosto inocente, parecendo não se preocupar com o que ocorria, advertiu:
- A mamãe sempre disse que é feio enganar as pessoas... A mamãe sempre disse que os adultos não devem bater em crianças... A mamãe sempre disse que pessoas assim devem ser punidas.
Provavelmente, em nenhum momento de sua vida aquele senhor, que para muitos era bem apessoado, sentira um frio percorrendo a espinha como naquele instante. Foi a primeira vez que encarou os olhos de uma criança e não viu um anjo, não viu uma vítima, não viu o medo, uma presa, mas sim, uma predadora.
- Não entendo... – Confuso, o cidadão olhava fixo para a inocente bailarina.
- É como ela disse, moço... Pessoas más devem ser punidas.
A voz vinha das escadas que davam acesso ao porão, e ele olhou rapidamente a ponto de ver o garoto surgindo, ainda com um ferimento enorme na testa, que no mínimo, era para deixá-lo desacordado por horas, ou até mesmo morto. Ele também não tinha mais aquela expressão simples de um moleque bagunceiro, mas sim de algo mais poderoso, que somado às sombras, tornavam a cena ainda mais assustadora. O sangue de sua cabeça escorria em abundância, e parecia que aquela pequena pessoa não se importava, pelo contrário, passava a língua pela região dos lábios quando percebia que mais sangue se aproximava de sua boca. A criança simplesmente terminara de vencer os degraus e parou, olhando fixo para aquele que antes o agredira.
- E-eu não entendo... – Uma gota de suor em sua testa deixava claro que a situação o preocupava.
- Nós já vamos explicar! – Disse o pequeno cowboy arreganhando a boca deixando evidentes seus dentes alongados, principalmente os caninos, e os olhos brilhando em fúria, não mais lembrando o semblante de uma simples e inofensiva criança. E com um grito animalesco, partira para cima do homem, agora amedrontado, com um único salto e cravara os dentes em seu braço direito, usado como escudo no reflexo de se proteger da criatura em forma infantil.
- DESGRAÇADO!! – Gritou a vítima, mais por dor e medo do que por ódio.
Quando olhou para o outro lado em busca de algo que o ajudasse a se livrar dos dentes que rasgavam seu braço, deparou-se com a garotinha, bem próxima, e isso o deixou ainda mais aterrorizado.
- A mamãe diz que é feio falar palavrão. – E desta vez, quem mudou de expressão fora ela, com seus dentes alongados como os do irmão, puxou com uma das mãos o homem para baixo com uma força assustadora, deixando-o de joelhos e levando rapidamente a cabeça para trás como se buscasse impulso, voltando com toda ferocidade seus dentes contra a jugular daquele que não mais se sentia superior. Enquanto era mordido várias e várias vezes, o homem lutava, usando apenas o braço esquerdo que estava livre. Tentava agredi-los, mas ambos pareciam não sentir mínima dor, demonstravam-se extremamente focados pelo sangue que escorria pelos rasgos ocasionados pelos ataques. Lambiam qualquer filete de sangue que aparecesse. O consumiam com desespero, pareciam viciados no líquido avermelhado que surgia em grande quantidade.
Neste ponto, o homem já não gritava mais, logo, não estava mais de joelhos, não tinha mais forças para isso, e deixara seu corpo cair ao chão, e as crianças, que até a poucos minutos se preocupavam com os doces, agora tratavam de sugar todo o sangue que pudessem daquele corpo praticamente já morto.
Enquanto sua vida era retirada, corria os olhos para o garoto e em seguida para a menina, e em seus rostos, como se fosse julgado, via cada rostinho de criança que um dia abusara. Elas olhavam para ele e riam, debochavam, sentiam-se vingadas, e ele nada mais podia fazer, a não ser aceitar seu inevitável fim que veio no momento em que a pequena bailarina arrancou com uma das mãos o seu coração.
E como tudo começou, terminou.
- Vamos... A mamãe deve estar preocupada. – Disse, já de forma natural, a menina, que não mais importava para o ser estirado à sua frente, tentando limpar com um dos bracinhos o sangue que insistia em marcar seu belo rosto.
O garoto demorou pelo menos um minuto para responder, e só o fizera quando percebeu que não havia mais sangue a ser sugado.
- Vamos.
Ambos se levantaram e começaram a caminhar em direção a porta da saída. O irmão ajeitando um pouco a roupa da garota que ficara amarrotada em meio ao banquete sanguinário. Logo cruzaram a porta, e enquanto saiam da casa, a garotinha, sem aviso, parou de forma brusca, e espantada, disse:
- Espera!
- O que foi?
A pequenina não respondeu. Apenas saiu correndo para o interior da residência novamente, deixando o irmão esperando, não por muito tempo, e voltando, porém, com um sorriso de alívio no rosto.
- Podemos ir... Fui buscar minha cestinha de doces. – Sorriu, voltando a caminhar de mãos dadas com o irmão, como se nada ocorrera, como faziam em todas as noites de Halloween nas últimas quarenta décadas.

Fim
 
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